segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Progresso e Modernidade. Será?





Às vezes a gente enxerga algo por trás das propagandas... Ai vai mais uma propaganda que merece comentários aqui no blog.

Qual das imagens está fora do contexto da atualidade vivida por nós? Com certeza a segunda é a que mais condiz com a nossa época, pois, num primeiro momento ficamos impressionados com as precárias condições de transporte que nos são apresentadas na primeira imagem. Chegamos a nos questionar se elas datam de épocas remotas, “Não é possível! No mundo em que vivemos, ano de 2007, em pleno século XXI?”. Bem... ainda não descobri sobre as datas das fotos, mas uma coisa é certa: se forem recentes, com certeza foram tiradas num lugar bem distante de nós... do outro lado do mundo (e não precisava nem perceber os traços orientais dos personagens para chegar a essa conclusão).

Já a segunda imagem se mostra bem mais familiar. No fundo da imagem, vemos uma arquitetura antiga, a rua em paralelepípedo, mas isso não nos impede de perceber a modernidade e o progresso que a foto inspira. E nesse ponto que começo a refletir sobre o PROGRESSO, que trás consigo velocidade, agilidade, praticidade e até um melhor custo-benefício, não só em seus negócios, mas como em toda sua vida. É essa a imagem que todos nós temos do progresso: o AUTOMÓVEL.

Nos dias atuais, se você não possui um, quase nada você vale. Significa que seus negócios não vão bem, e provavelmente você não será uma pessoa rodeada de amigos e mulheres.

Pois bem, o progresso está ai, explodindo em nossas cidades (ou seria explodindo as nossas cidades?), poluindo-as, e nos tornando pessoas cada vez mais consumistas. Mas será que somos evoluídos o bastante como pensamos? Será que a cidade em que vivemos, lotadas de progresso, e por conseqüência, entupidas de automóveis, é o verdadeiro ideal de vida para nós, seres humanos?


Na minha concepção, essa terceira imagem é a que retrata o verdadeiro progresso, a verdadeira evolução. Porém, um progresso que nem todo mundo consegue enxergar. Infelizmente!

Retrata o que deveria ser o ideal de todo e qualquer ser humano: uma vida feliz, ao ar livre e puro. O que pode ser mais prazeroso do que um dia de lazer recheado de gargalhadas e “loirinhas”? Os personagens aqui transpiram felicidade, e se mostram destituídos de preconceitos e estereótipos, com suas feições de “e daí que eu não estou de carro?”. Chega a dar inveja... eles não sentem vergonha e nem um pouco mais pobre do que eu. E nesse momento eles podem tudo! Podem chegar onde quiser, carregar quantas latinhas puder, e beber até cair. O máximo que pode acontecer é um joelho roxo (ou até dois!).

Enfim, a foto definitivamente é mais feliz e inspira VIDA. A cidade é mais colorida, mesmo que com a pintura descascando. Já na segunda imagem não nem uma pista de sobrevida na cidade: nenhuma pessoa, nenhuma árvore e nem ao menos o céu é azul.

Quanto à primeira foto, agora consigo vê-la com respeito e até um certo carinho. Nela, enxergamos vida, enxergamos GENTE. Gente que trabalha, que se esforça, que tem dignidade e, com certeza, muita mais saúde que nós, seres humanos sedentários modulados numa academia.

Carolina A. Vasconcelos
*Fotos tiradas da revista Veja, 14 novembro 2007. Edição 2034, ano 40, nº45.


2 comentários:

Felippe César disse...

Perfeito esse post, não poderia ser melhor, nos mostra que nossos conceitos devem ser repensados e começarmos a adotar outro estilo de vida, para que nossos filhos não vivam em planta ainda mais poluído e individualista.

Felippe César disse...

Perfeito esse post, não poderia ser melhor, nos mostra que nossos conceitos devem ser repensados e começarmos a adotar outro estilo de vida, para que nossos filhos não vivam em planeta ainda mais poluído e individualista.